siempre busco en la mañana comprimiendo mi mirada señales que me lleguen desde el mar quizas una ballena, un tordo, una sirena un aroma que me haga recordar la boya ya no brilla a la derecha de la isla y nestor no me viene a saludar Muguerza esta durmiendo y yo a veces pienso que esta tarde te quisiera abrazar y no estas
el chingolo come migas sin salir de su rutina un par de teros se ponen a gritar y me siento un tucu tucu viviendo en lo profundo y saliendo poco a poco a respirar el obrero de la esquina se queja de la vida y los perros no paran de ladrar mi reel esta tirado y aunque estoy muy desganado quisiera llevarte a pescar y no estas
se que la culpa es mia que yo elegi mi vida vivo en la carretera nada mas que me cuelgo la guitarra que me odia y que me ama y me olvido de que hay algo mas alla pero se que hay un cielo, una luna, una nube donde siempre nos podemos encontrar aunque a pesar de mi divague, mi cuelgue y mi arte muchas veces solo te quiero besar y no estas...
Eu sinto sua falta desde antes do embarque. E disfarçar ficava difícil. Ficar te falando que "vai dar tudo certo", que "tem que aproveitar cada minuto", que "tudo vai ficar bem" enquanto um aperto tomava conta do peito era foda.
Não posso esperar tanto tempo assim... 7 meses? 9 meses? Talvez 10? Ah... muito tempo pra ficar aqui procurando o que fazer. Eu sei que o nosso amor é novo e que temos muita coisa pra viver juntos. Essas palavras foram ditas tantas vezes que acabaram me convencendo.
Mas o que eu sinto aqui é o velho amor ainda e sempre. Aquela vontade de dividir algo que me aconteceu contigo. Imediatamente após qualquer uma das minhas "patetices", eu penso na tua cara quando eu te contar! E nas tuas risadas, claro.
Não diga que não vem me ver no Skype, FB, MSN (ainda existe?). Dá logo um jeito de comprar um celular com internet ou um tablet/note. Preciso ter certezas e essas, só ao vivo.
De noite eu quero descansar, relaxar, fazer minhas coisas... e dentre elas falar contigo ou saber de ti, como sempre foi; como sempre tem sido nos últimos 4 anos.
Ontem vi um trailler do "As aventuras de Pi". Nem deu tempo da gente de ver. Adivinha? Vontade absurda de ir ao cinema com você... um filme à tôa no Pathé (ou no Arteplex, ou no Iguatemi)!
Que culpa a gente tem de ser feliz? Algum imposto temos que pagar por sermos assim tão "mente aberta"? O fato é que um só vai ser feliz se o outro também for. Foi assim que combinamos, é assim que pensamos, e é por isso que estamos aqui. Que culpa a gente tem, meu bem?
Agora, chegou a tua hora de buscar teus sonhos. E eu me orgulho de te apoiar e incentivar desde que te ouvi falar pela primeira vez desse desejo. Faço manha, e é claro que sinto em ter que abrir mão da tua presença por tanto tempo, mas não liga muito pro meu drama. Tu estás aí, com o mundo bem diante do nariz e tem muita coisa pra viver e aprender.
Não dava pra adiar mais. Quero te ver completamente feliz agora e não além! Mesmo porquê, o além vai ter que ser vivido em dupla. E pra isso, precisaremos estar próximos, no mesmo espaço geográfico no planeta. Estava na hora.
Eu faço tanta coisa pra tentar matar meu tempo. Até videogame eu tenho jogado. Tudo pra ocupar a mente e ter coisinhas novas pra viver. Também quero aprender e viver outras experiências. Também quero ter algo de bom no final dessa nossa jornada.
Mas é impossível não ficar pensando no momento de te ver... Já? Aham! Acho que desde que dei as costas àquele portão de embarque, depois de tirar aquela foto que tu nem viu eu tirar!
E no final de semana tive que me ocupar em casa... A minha casa sem você é triste! Me sinto perdida, incompleta, sem entender direito...
Sim, eu vou me adaptar. Óbvio que não vou entrar em parafuso porque eu me preparei pra isso. E já vivo há tantos anos longe de outras pessoas que eu amo, com a certeza de que elas continuam me amando independente da distância ou do tempo que passe. Conto o tempo pra poder vê-los, é verdade. A espera arde sem me aquecer. Só que basta eu planejar a viagem (ou a visita que receberei) e tudo se enche de luz e música de novo.
Não diga que você não volta nem brincando. Senão eu surto, eu piro, e levo todo mundo pro hospício comigo!
E se resolver ficar muito tempo sem dar notícias, é bom lembrar que eu não vou conseguir dormir... E é bom ter em mente também que quando eu fico acordada, eu fico vendo TV a noite toda. Isso pode me fazer viciar em TV no quarto e... bom, já deu pra entender! À noite eu quero descansar... e no máximo, se a companhia for boa, sair à tôa por aí.
O lance é que mesmo com um monte de gente em volta, mesmo cheia de coisas na cabeça... eu me sinto só, me sinto só... E só queria ouvir todos os dias: "Eu me sinto tão seu".
Ai essa música não podia ter tocado agora! Alterando a lista:
Muita coisa aconteceu nos últimos quatro anos. Coisas demais até.
Sinto saudade todos os dias dos abraços que não vou mais dar nas pessoas que me ensinaram a amar a tudo e a todos que amo e a viver com paixão e dignidade.
Ganhei muitas coisas incríveis. Perdi coisas maravilhosas.
Eis que me encontro em 2013. Cheia de planos, cheia de compromissos, cheia de metas...
...aqueles sentimentos de medo e tristeza. Não é bem tristeza, é um nó na garganta, uma saudade antecipada, uma confusão que aperta o coração.
Percebeu que nem me despedi? Te vi entrar no táxi e balbuciei um 'boa sorte' ou 'te cuida', nem lembro. E virei sem olhar pra trás. Cheguei no ponto de ônibus, debaixo daquele sol que aumentava a tontura das minhas ideias e agradeci aos céus porque minha linha estava estacionando no mesmo momento. Só percebi que tinha pegado o ônibus errado depois de uns quinze minutos. Onde eu tava com a cabeça?
Já sei! No mesmo lugar em que estive durante a madrugada por várias vezes. Cada vez em que despertava do meu sono leve e conturbado, dos meus sonhos bizarros e confusos, eu estava lá: na terra da saudade angustiante e da incerteza.
No meio desta tempestade toda, desse turbilhão de emoções negativas que estão em mim, tu diz que quer se casar comigo. E que quer vários filhos correndo pela casa. E olha, age e fala sorrindo com uma tranquilidade que me espanta. Essa tranquilidade que eu tanto elogio, que me acalma sempre e que me faz sorrir, hoje me assusta. E tuas certezas não amenizam meu medo.
O medo é real. Medo de que eu não faça a mínima falta.
Fumar é cafona. Percebi isso há alguns meses, num insight relâmpago. Então decidi nunca mais fumar na vida. Nem pensei no abalo que provavelmente sofreria a minha dieta. O fato é que fumar é extremamente deselegante. Pode ter sido a decisão que mais adiei na vida. Mas eu sou assim: depois que tomo a decisão, não tem volta. E não teve. Fumar é brega.
Acabei substituindo o cigarro por outra coisa. Um outro vício. Pois só há um jeito de se combater um vício: com outro. Não há qualquer comprovação sobre a afirmação anterior, portanto não saiam dizendo que leram isso aqui. Afinal, aqui não é nenhum lugar confiável. Não mesmo.
O novo vício? Chicletes. Em todas as bolsas, em todas as gavetas, nos bolsos, nas mesas onde trabalho. Sempre está a mão porque nunca sei quando vou ter um acesso de vontade. A vontade, logicamente, é de fumar. Só que estou em uma guerra anti-cigarros, portanto uso as minhas armas (balas de borracha).
Aconteceu num desses dias em que eu voltava pra casa. Final de tarde. Chuva chata. Trânsito parado na Ipiranga. Carros, ônibus, motocicletas... todos em uma procissão monótona e lenta.
Fiquei ansiosa. E ansiedade pede o que? Cigarros! Então peguei um. Chiclete. Coloquei na boca. E distraidamente liguei o rádio para ouvir “Hoje nos Esportes”. O Nando Gross é engraçado. Meio sem noção. Em uma semana decisiva, ele fala, fala, fala... e só me faz rir com suas teorias de como o Inter deve jogar, como o Grêmio deve escalar o time, etc.
Com a cabeça nas nuvens, eu faço uma enorme bola de chiclete. Adoro. Desde criança, quando meu tio mais ‘moleque’ me ensinou a fazer. E depois da primeira, vem a segunda, a terceira... Uma maior que a outra. Vira meio que um desafio pessoal.
Olho pro lado e tem um cara olhando e rindo. Constrangimento imediato. Fumar é cafona. Mas fazer bola de chiclete é muito imbecil. Ainda mais rindo sozinha, no meio de uma avenida congestionada. Não venha me dizer que ele ria porque achou aquilo um charme. Não mesmo.
Odeio palhaços. Acho que tenho medo. Não sei. Simplesmente detesto. Desvio deles até em festinhas de crianças. Não gosto mesmo.
A razão pode ser porque, quando criança, acompanhava as sessões de filmes nas madrugadas insones da minha mãe (nossa insônia deve ser genética). E víamos os filmes que passavam na Globo. Era a única emissora que ‘amanhecia’ na cidade. Até hoje acho que é a única. Passava muito filme de suspense e de terror. Foi nesses tempos que assisti “O Destino de Poseidon”, “ O Inferno na Torre”, “A Mosca” e “Poltergeist (!!!!)”. Aquele maldito palhaço debaixo da cama. Maldito!
Pois pra piorar meu pai adorava nos levar no circo. Não passava muito tempo em casa com a gente. Então, quando vinha nos ver, nos levava pra passear sempre. O programa predileto dele era nos levar ao circo! Porque quando ele era criança, essa era a maior diversão, o maior espetáculo da terra, sabe? Sabe.
Vivemos agora em outros tempos. Tempos do Cirque du Soleil. Este é espetáculo mesmo. Espetáculo artístico de dança, ginástica artística, cenários, figurinos, luzes. Um show. Bem diferente dos circos que o pai levava a gente. Aqueles em que eu implorava pra chegar logo o globo da morte com as barulhentas motocicletas circulando dentro daquela esfera de tela metálica, fazendo aquele som infernal, insuportável.
Nunca menos insuportável que aqueles palhaços bizarros que se achavam bem engraçados e que me deixavam muito desconfortável com o nó que se formava na minha garganta durante suas idiotices. Pelo menos o globo da morte era o anúncio de que a tortura estava acabando. Era a última atração sempre. Uma vez um circo inventou de colocar palhaços pra “animar” o globo da morte. E eu voltei pra casa horrorizada.
Mas o Cirque du Soleil é bem diferente. Tenho muita vontade de assistir e faz tempo. Quando eles estiveram em Porto Alegre em 2008, infelizmente demorei pra ir comprar ingressos e havia acabado. Não vi o espetáculo “Alegría” que meus amigos classificaram como fantástico. Então decidi: desta vez, eu vou!
Fui até um dos postos de venda de ingressos. Toda feliz. Quidam é o nome do novo show. Tinha um cara na fila com um jornal “O Globo”. O que um porto alegrense fazia com esse jornal, foi o que eu me questionei. Então eu vi que ele lia uma crítica do espetáculo. Pedi pra dar uma olhada. Entre uma linha e outra, eis que surgem as seguintes palavras: “E o palhaço. Palhaço? Ele está em todos os cantos e em quase todas as cenas. O roteiro refere-se a ele de forma direta, apesar das inúmeras brincadeiras que ele faz com a platéia...”
Saí da fila e fui pra casa. Não gosto mesmo de palhaços. Odeio. Deve ser trauma. Ou medo.
Morar (quase) sozinha faz de mim um paradoxo. Na maior parte do (pouco) tempo em que estou em casa - quando meu cúmplice está viajando ou na rua, me sinto só. Falo sozinha. Ligo a TV só pra ter as vozes que saem dela ao redor sem sequer olhar em direção. Busco por meus amigos e minha família nos messengers para diminuir a sensação de abandono. Funciona.
Aí resolvem me visitar. Afinal de contas, eu reclamo da distância, da saudade, dos eventos familiares que acontecem sem a minha presença, de tudo estar acontecendo sem mim, de nem lembrarem que eu existo. Pura chantagem. Dessas que eu faço desde que dei o ar da graça nesse mundo de monstros e monstras sanguinários. Mesmo antes de aprender a falar ou andar eu já usava desse artifício mesquinho e sórdido. E quer saber? Funciona.
(cena do filme Parenti Serpenti* -
qualquer semelhança...
talvez nem seja coincidência)
E então meu espaço vira um caos. Há pertences de outras pessoas em cada móvel de cada cômodo. Há coisas minhas nos lugares que me restam, mas não nos meus lugares. Os armários são totalmente formatados por dentro. O barulho de vozes é real, alto e confuso. Meu quarto não é mais meu. Nem meu banheiro. Nem mesmo minha cama e meu travesseiro. Eu começo a perceber que está pesado demais. Estou prestes a emitir um sonoro "foradaquiiiiiiiiforeeeeeever!!!", quando alguém sugere que eu saia pra tomar ar. Funciona.
Acontece que não tenho como sair pra tomar um ar todas as noites. Nem posso continuar passando matinalmente todos meus horários e tarefas do dia para uma supervisão (inquisitória), enquanto estou sentada à mesa, tomando meu café da manhã (normalmente uso o balcão da pia, em pé).
- Família, amo vocês. Porém, nós todos juntos, por mais de duas semanas neste apartamento, é algo que definitivamente... Não funciona.
Meu pai, fotografado pelo meu irmão em julho de 2009.
Lá está ele sentado num final de tarde ensolarado de inverno. Com sua camisa de lã uruguaia que a mim sempre pareceu um casaco. Mas ele afirma que é camisa. Com seus óculos de lentes fotocromáticas, que ele demorou a se convencer em usar.
Depois de tanto tempo, não me canso de olhar pra ele. Não canso de lembrar de toda a história de luta. Não esqueço das conversas e das filosofias simples que me acompanham pela vida. Do ciúme, da proteção e do mimo escancarado que até hoje se destinam a mim.
Não tenho como não admirá-lo. Força e fibra sempre foram suas companheiras. E a sensibilidade escondida em pequenas frases para não perder a macheza até hoje me comovem.
E essa mania de mexer nas mãos. Nessas mesmas mãos que já trabalharam duro (e ainda trabalham), que carregaram toda sorte de equipamentos e engrenagens, que já sofreram tantos cortes e ferimentos.
As cicatrizes estão todas lá. E arranham um pouco quando ele passa a mão no meu rosto pra fazer carinho. Assim como o peso de uma mão que muita enxada já ergueu muitas vezes é sentido naquelas brincadeiras inocentes que envolvem “tapinhas” e risadas.
Desconheces a tua força, pai. Desconheces a tua força. E aqui nem falo da tua força física mais. Falo da fortaleza que se instaura ao teu redor. Falo da garra em enfrentar os problemas de frente. Refiro-me à sensação de bem estar que tu passas só de ficar um pouco ao meu lado.
E agora tu ficas aí sentado, calmamente tomando sol, depois de mais um dia de ensinamento e aprendizado. E te deixa fotografar pelo teu filho caçula só porque ele gosta de brincar de ser fotógrafo. E te deixa descrever pela tua filha mais velha só porque ela gosta de brincar de ser escritora.
Por quê? Talvez porque nossos sonhos te realizem de alguma forma. Porque sempre priorizaste a nossa felicidade, independentemente do que a gente decidiu fazer/ser/inventar/experimentar.
Um pouco de ti está em mim, pai. As pessoas falam ser muito mais que ‘um pouco’. E o teu modo de respeitar as minhas escolhas faz com que eu te ame cada dia mais e mais. Não tenho muito que te dizer, além do que já te disse e digo em qualquer oportunidade que surge.
Pra hoje (09/03):
Feliz aniversário, pai.
Te amo pra caramba.
Beijo meu.
* "Este é meu pai, meu amor maior." (relembrando minhas aulas de alemão)
Durante o carnaval, eu estive no litoral porque em Porto Alegre não tem praia e a gente tem que viajar uns 100km pra ver o mar. Que não é muito bonito pra essas bandas, visto que aqui é a ponta do continente que recebe as correntes geladas da Antártica. Este ano, por uma anormalidade climática, o mar tá quentinho e menos revolto (mais limpo), o que é muito raro, visto que a gravidade do planeta não permite praias paradisíacas nesta latitude.
Enfim... explicações geográficas e científicas à parte, quase todo mundo aqui tem (ou é próximo de alguém que tenha) casa na praia. Então, 80% da cidade se manda pra lá nos feriados e finais de semana de verão.
Isso tudo é pra explicar o que segue...
Na sexta (pré-carnaval) à noite, quando fui tirar minhas lentes de contato pra dormir, uma delas rasgou. Mas um rasguinho estranho: uma pequeníssima meia lua se destacou da borda e eu nem sei como. Imediatamente eu tive um chilique.
E tu aí já tá te perguntando: por quê?
Respondo: porque a receita ficou em casa, logo nem adiantava ir à ótica comprar uma caixinha de lentes descartáveis. E mesmo que eu andasse por aí com a receita (coisa muito comum, não é?): não há óticas na prainha pra onde eu vou! E pra piorar o quadro da dor: meu horroroso óculos - que só uso pra ver TV na cama - ficou em casa.
Ou seja: carnaval às cegas (pra não dizer às míopes).
Tive que improvisar, portanto.
Na manhã seguinte (e nas que se sucederam a esta), ao colocar a lente do olho direito, fiquei girando até que o rasguinho se acomodasse.
Então comentei com o ser-humano-que-é-adjacente-e-inerente-a-mim:
- Não sinto desconforto se coloco o sulco pra baixo.
- Vai ver é porque tu nunca olha pra baixo!
Instantaneamente eu comecei a (mentalmente) filosofar:
"And then I looked up at the sun"
And I could see
Oh the way that gravity pours
On you and me
And then I looked up at the sky
And saw the sun
And the way that gravity pours she
On everyone
Ando otimista mesmo. Tudo tem que dar certo, nos devidos prazos. E não tenho tido tempo sequer pra olhar pro lado, quem dirá pra baixo...
Mas... e se ele tava falando isso porque eu tropecei duas vezes naquela mesma tarde?
Há alguns dias eu venho refletindo sobre meus gostos. Eles não tem nada de excêntricos, nada de incomuns, nada de peculiares... Acredito que eu seja parte da maioria. O que eu considero ‘bom gosto’ é o meu gosto. O que eu considero bom, é bom pra mim.
As músicas que eu curto, os filmes que eu aprecio, as comidas com que eu me delicio, os lugares onde eu adoro ir, tudo é absolutamente comum pra mim... E não tenho muitos preconceitos.
Porque quando eu era criança, eu tinha. E muito. Olhava pra algo e já não gostava. Aí vinha a minha mãe e seu refrão predileto “nem provou e já sabe o sabor?”. Isso me fazia ter mais raiva da tal coisa. Aí que eu nem olhava mesmo.
Abre parênteses: (
Falei ali em cima que não tenho muito preconceito com as novidades. Pois com pessoas eu tenho. Se eu bater o olho e não gostar, não tem jeito. E aqui o refrão da minha mãe nem cabe. Porque eu não preciso provar pra dizer que não gosto. Basta olhar. Tem algo mais comprometedor (ou comprometido) que os olhos?
) Fecha parênteses.
Por que eu venho me questionando sobre meus gostos e afinidades? Porque me levaram esses tempos pra comer sushi em um lugar que eu amei. Aí eu comentei sobre o tal lugar com um amigo, cuja erudição está acima de nós, pobres mortais:
- Ah tá. Nada mais japonês do que um sushi com goiabada. Sorvete de sobremesa então... ultra-tradicional no Japão.
- Olha, eu nunca estive no Japão. Mas duvido que o churrasco deles não tenha sofrido algumas adaptações que o descaracterizaram. E mesmo assim é churrasco. E a sobremesa lá não deve ser sagu de vinho tinto!
Se aparece uma nova música que a mídia mostra insistentemente, eu ouço. Se comentam muito sobre um filme, eu vejo. Se todo mundo come, eu experimento. Se falam de um livro interessante, eu leio. Surgiu um cosmético que promete milagres? Então eu uso!
Exemplos?
- adoro Lady Gaga pra correr na esteira
- “Bastardos Inglórios” foi o melhor filme que eu vi no ano passado
- o Tehama Tex-Mex me fez perder o nojo de guacamole
- “O Menino do Pijama Listrado” é um BAITA livro
- o primer Magix da Avon é tu-do (melhor que muita marca carésima por aí)
Prefiro filmes alternativos, prefiro ouvir rock antigo e folk, prefiro culinária oriental e não leio auto-ajuda. Não há nada de incomum nisso? Beleza então:
- Minha querida, “tu é pop”. Gosta de Johnny Cash e Bob Dylan, Tom Tykwer e Fellini, de comida japonesa e árabe... e pior: lê Saramago, David Coimbra, Aldous Huxley e Jack Kerouac como se eles seguissem a mesma linha de raciocínio!
- Tá, então sou. E o que há de errado? A Madonna é pop e tá pegando o Jesus, meu bem. E eu acho podre de digno.
- Peraí... Madonna e Jesus??? Michelangelo diria que é incesto.
Aqueles festejos que antecediam a Quaresma, os dias de se despedir da carne (“afastamento" dos prazeres da carne marcado pela expressão "carne vale") e se preparar para o jejum, progressivamente virariam a maior festa popular da contemporaneidade.
E que aqueles bailes de máscaras do Renascimento, aquelas alegorias e fantasias acabariam se transformando em bailes regados a muita cerveja e desfiles de rua.
Pois pra mim, o paradoxo do Carnaval ainda são os trios elétricos.
Principalmente porque, se a origem vem da ‘dupla elétrica’ Dodô e Osmar, deveriam ter três pessoas lá em cima e não uma multidão...
Tá, não é só isso que considero paradoxal. O que me intriga mesmo é como uma pessoa pode, sendo empurrada por uma multidão, na velocidade e ritmo ditados pela maioria dos ‘carnavalescos’, dizer que está se divertindo.
E pior, pagando caro pela camiseta bregamente colorida (e mais bregamente ainda customizada) a qual popularizou o nome abadá, que é roupa de capoeirista!
Opa, acabo de ter uma luz!
Se abadá veste capoeiristas, se capoeiristas se divertem jogando capoeira e se as pessoas se divertem vestindo abadás naquele empurra- empurra em torno de um trio elétrico (que é uma multidão em curto circuito)..., carnaval é uma capoeira coletiva.
- Tá bom, Mary. Agora me explica a tal beijação que acontece nessa capoeira toda?
- Bom, seguindo meu raciocínio, tenho a resposta pra essa também. Já ouviu falar em Zé Kéti e Pereira Matos? E da marchinha Máscara Negra que a Dalva de Oliveira gravou em 1967? Não? Presta atenção num trechinho da letra: “Vou beijar-te agora/ Não me leve a mal/ Hoje é carnaval”. Eis a etiologia e a origem histórica do festival de beijos carnavalescos!
- Hummmm, sou mesmo um completo ignorante! Eu aqui achando que era culpa da Ivete! Porque com ela, “é na base do beijo...”
Brincadeiras à parte, pessoas: aproveitem os dias que seguem. Seja para descansar, para se esbaldar nos prazeres da carne, seja pra cair no beija-beija, ou pra o que bem entenderem... Só “não façam nada que eu não faria”, conforme sabiamente aconselha meu avô (que está fazendo 87 anos hoje).
- Tá, eu sei que todo mundo está reclamando do calor insuportável aqui em Porto Alegre. E eu nem deveria mais falar sobre isso porque agora no final da tarde resolveu cair uma bela chuva. Mas, Jesusinho querido, por amor aos seus filhinhos gaúchos: leva o verão senegalês embora!!!
- Uma semana com três dias tem suas vantagens e desvantagens. Trabalho tão intenso por três dias merece, no mínimo, final de semana na praia. Vou de novo amanhã de noite, então!
- Alguém aí é tão entusiasta por seriados como eu? Se sim, já conseguiu ver o início da 6º Temporada do Lost? Eu já!!! Acho que foi a coisa mais divertida que fiz nesses últimos e escaldantes dias.
- Tá rolando o Porto Verão Alegre e eu nem pude olhar a programação com calma. Juro que, não importa a pilha de trabalho, na semana que vem eu vou a pelo menos um espetáculo. De preferência num teatro munido de um bom sistema de ar refrigerado. Talvez “Como enlouquecer sua alma gêmea” ou o clássico “O Urso”.
- Quando não tenho absolutamente NADA pra fazer (no frescor do ar condicionado do laboratório - geralmente no horário que seria ‘de almoço’), acesso o blog “Te Dou Um Dado?” e morro de rir com o jeito debochado que o pessoal escreve sobre TV e celebridades. Quase não vejo TV, então acabo conhecendo as ‘subcelebridades de 15 minutos’ por lá. E sob a ótica do TDUD pode ser um pouco exagerado, mas é hilário.
- Falando em hilário... Uma das poucas coisas que me prendem na frente da TV (além de seriados) é o CQC. Sou fã do Tas (e do Blog do Tas) há anos. E o programa me dá informação séria do jeito menos chato. Será que eles demoram muito pra voltar de férias??? Os meninos devem estar em atividades de verão que não incluem estúdio e ternos pretos.
- E preciso ir ao cinema com urgência... Já deixei passar vários filmes. Ai, é muito calor pra fazer qualquer coisa legal!
Por mais que eu já tenha voltado de férias (férias inventadas, porque eu nem tenho férias oficialmente), parece que o ano ainda não 'engrenou'.
Não gosto de usar aquelas generalidades e frases que se repetem ano após ano de que "o ano só começa depois do carnaval", mas começo a acreditar que as pessoas estão realmente levando isso a sério.
No campus, apenas um serviço de cópias está funcionando. Somente um dos restaurantes. Os postos bancários tem horário 'de verão', bem como as linhas de ônibus. As poucas pessoas com quem me encontro pelos corredores estão se arrastando, como que por obrigação.
Mas não é só por aqui. Na cidade, os supermercados e lojas estão uma paz só... Isso contrasta imensamente com as últimas semanas do ano. Deve ser por isso que eu tenho estranhado tanto.
Mesmo com os tantos prazos que tenho a cumprir, as pilhas de coisas pra ler e escrever, os experimentos pra realizar e repetir, ainda assim eu não consigo "me inserir" em 2010.
Não há falta do que fazer. Há (muita) falta de motivação.
E eu jurava que voltando pra cá, tudo voltaria ao ritmo normal.